Buenos Aires – reflexões de uma quase portenha

Em outubro passei alguns dias em Buenos Aires e me encantei pelo estilo de vida portenho.

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Em Buenos Aires o melhor a fazer é evitar os programas tipicamente  turísticos , e  ao menos por alguns  dias, viver como um portenho. Para começar, deixe de lado o agito da Calle Florida e fique hospedado em Palermo, Ricoleta ou Belgrano ,zonas residenciais  tranquilas e charmosas.

A primeira dificuldade será adaptar-se  aos horários, nativos    acordam  tarde  enquanto    turistas  preferem acordam  cedo  para   aproveitar ao máximo cada minuto.   Melhor seguir os hermanos e ficar na cama um pouco mais.  Quem insiste em sair  muito cedo, corre o riso de ficar na rua aguardando  as portas abrirem. São poucos os cafés em funcionamento  antes das 8hrs,  especialmente em feriados e finais de semana.  Tente relaxar e curtir  o ritmo mais lento.  E se  madrugar  e não encontrar nada aberto, aproveite para fotografar a bela arquitetura  sem a interferência de carros e pedestres. A cidade é completamente diferente logo cedo. Uma paz invade cada recanto. Vale sentar em um banco e observar esse despertar.

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Os  cafés e restaurantes são bem versáteis ,  servindo   café da manhã,almoço,lanche da tarde, jantar e aperitivos.  Comum encontrar  turistas  almoçando, enquanto  moradores do bairro apreciam tranquilamente  o café da manha. Se pela  manhã tudo é mais lento, as noites são longas e bem animadas.  Os restaurantes servem refeições até tarde-  locais mais procurados chegam a oferecer desconto para o jantar antes de  20 hrs.  Os argentinos adoram comer fora – do café ao jantar. Uma bela carne, um bom vinho, uma picada (aperitivos)com amigos, ou algo mais trivial.

 Cada estabelecimento  cria seus  próprios horários,   abrem normalmente mais tarde e trabalham em geral, aos sábados e também aos domingos. Muitas livrarias e até a Biblioteca Municipal funcionam aos finais de semana. Visitei a biblioteca em um domingo de sol,  e fiquei surpresa com o movimento nas salas de leitura.  Mais um ponto a favor dos argentinos,  são leitores vorazes – daqueles que ainda leem jornal impresso preferem o livro físico.  Não é exagero chamar Buenos Aires de a Capital Mundial do Livro com suas  inúmeras livrarias e sebos ( mais de 370 ).

Os moradores aproveitam muito a cidade-  parques , praças , feiras , estão  sempre  repletos de gente. E esqueça o carro – argentino gosta mesmo é de andar a pé.  Os veículos ficam  estacionados e  praticamente, só circulam  taxis com valores bem acessíveis.  Nas calçadas, há  um fluxo intenso de   pedestres, carrinhos de bebê, crianças com triciclos, carrinhos de compra, cachorros.  Sem contar os passeadores de cães, com até seis animais.

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Por lá, nem taxista suporta congestionamento, precisávamos ir perto do Aeroparque e o próprio motorista,  nos convenceu a desistir  devido ao transito intenso do local naquele momento.  Para desbravar a cidade, o  transporte coletivo é  econômico e eficiente. As linhas de metro levam aos principais pontos turísticos e os ônibus, com grandes janelões permitem apreciar melhor a paisagem. A cidade merece ser vista de cima.  Confirme o destino e o número do ônibus e se aventure pelas ruas de Buenos Aires.  É fácil adquirir  a tarjeta própria para ônibus\metro , e  nada de falar carton de transporte.

Naquela semana de outubro, respiravam aliviados depois da  suada classificação para a Copa. E por incrível que possa parecer,  tinha torcedor  falando mal do Messi. Preferem o Maradona – aquele sim tinha o verdadeiro  espírito argentino.  Messi, bem mais contido, é acusado de não ter  a mesma  garra de Don  Dieguito.

Na feira de artesanatos  da Praça Julio Cortázar ,  uma placa chama a atenção  – com a técnica do fileteado  Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO : “Não escolhi nascer  Argentino, tive sorte”.  A frase resume bem o espírito dos nossos vizinhos –  exagerados, cheios de si, orgulhosos de sua origem e seus costumes. Com “ganas” de viver e aproveitar ao máximo  os prazeres da vida.

Voltei para casa contrariada, a vontade era de me estabelecer por lá e só resgatar os filhos e os cachorros.   Identificada com o estilo de vida dos hermanos, ando  mais atenta ao que realmente importa- estar com quem amamos e aproveitar o momento. O que inclui nunca perder a chance de  desfrutar  um bom café , vinho,  e claro,  um bom livro.

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