Booklover – paixão ou compulsão?

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Eu tive uma fase de comprar muito livro em promoção. Comprava  na empolgação mesmo, porque fulano indicou, ou porque estava muito barato. Resultado, uma estante abarrotada de livros que atualmente não me interessam . Já consegui me desfazer de alguns –  troquei, vendi , fiz doação.   Mas ainda sobrou muita coisa e aos poucos vou me desfazendo.

Muito dessa euforia de compras vem das facilidades das lojas virtuais,  até pouco tempo  os livros eram praticamente artigo de luxo. E muita gente infelizmente,  vive em locais sem livrarias e bibliotecas, tendo nas promoções das grandes redes um meio de acesso aos livros.  Eu que cresci nessa realidade de livros a preços exorbitantes, tenho dificuldade em me controlar, rsrsrs.  É  quase inacreditável a variedade, a beleza das edições e os preços praticados hoje.

Um dos itens da minha listinha de Metas para 2018   era  –  Ler mais e comprar menos,  e até que estou conseguindo me manter na linha.  Foram alguns meses de total controle. Mas sempre tem aquela  super promoção, e fica difícil resistir . Tenho um caderninho onde anoto tudo que entra e sai –  os livros novos e os  empréstimos. Tudo registrado mês a mês fica fácil a visualização e ajuda a manter a situação sob controle.  E de tempos em tempos, pego o caderninho e  marco com um L tudo que foi  LIDO. É um momento de pura satisfação.  O problema é que a pilha de novas aquisições diminui aos poucos enquanto  tem muito livro mais antigo  esquecido na estante.

 

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Passei a ser mais criteriosa e não compro ao acaso,  foco  nos estilos literários que realmente gosto, os autores que aprecio, os clássicos que quero ter na estante.  Estou fugindo dos livros da moda,  dos estilos que não me atraem e das séries. Sei que tem o lance de ler coisas diferentes, fugir da zona de conforto e tal… Mas nesses casos, acho que vale testar antes , um empréstimo na biblioteca e  caso me  agrade  posso  investir  na compra com mais segurança.

Também estou evitando as promoções. Vale a mesma lógica para liquidação de roupa. É uma peça atemporal ? Veste bem? Combina com meu estilo ?  É um clássico que vale a pena manter na estante? Um livro que meus filhos também poderão ler? Tem boa tradução? Edição caprichada? Vai sobreviver a possíveis releituras ?  Depois de pensar tanto  sinto o desejo consumista diminuindo, de verdade.  A pergunta central  é-  com a  estante cheia qual a necessidade de comprar mais livros que não serão lidos agora ? Depois dessa reflexão,  largo o carrinho cheio e  não compro nada.  Para mim, é tiro e queda!

Os hábitos de  consumo são questões bem pessoais –  cada um gasta com o  que gosta e  investe o quanto pode.  Comprar   livros  e investir em educação e cultura é fundamental,  sem dúvida nenhuma,  mas mesmo assim, pede um pouco de bom senso. É grande o risco de  entrarmos num círculo vicioso- de compras  por impulso e ostentação. Se o gasto excessivo passa a prejudicar a vida é hora de parar, antes que a situação fique fora de controle.

Eu  adoro  fotografar os livros novos e   os achados de sebo, e tenho consciência que  faço muito mais fotos, do que resenhas dos livros lidos.  O fato  é que passei a ler muito mais  desde que comecei a   acompanhar  essa rede virtual de leitores.  E nesse universo de indicações e promoções imperdíveis,  muitas vezes  tenho que parar, dar uma respirada, e refletir – preciso mesmo desse livro que todo mundo está comentando? Só compro se for para leitura imediata.

Também estou dando uma segurada na compra dos  livros infantis, outra paixão.   Estou esperando o interesse  partir dos meus filhos. Ler a respeito  do estilo de vida minimalista e os  hábitos de consumo ajuda bastante a enxergar as coisas com clareza. E principalmente, não quero deixar uma mensagem errada para os meus filhos. Quero que aprendam pelo meu exemplo a fazerem escolhas acertadas, especialmente no momento da    “geração do ter”  e  da ostentação.  É uma loucura a quantidade de vídeos e fotos de unboxing de tudo que se pode imaginar circulando por aí. E a maior parte desse material é direcionado  ao público infantil e aos jovens.  Precisamos estar atentos ao que vem de fora, mas sobretudo,  ao nosso próprio comportamento de consumo exacerbado.

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3 comentários sobre “Booklover – paixão ou compulsão?

  1. Um assunto difícil, esse, né? Tão bom tirar fotos dos livros que chagaram, empilhados, nos olhando, radiantes 😛

    Éeee… eu tenho períodos. Período em que consigo ficar sem comprar, período em que não posso abrir a Amazon. Período de só pegar livro emprestado na Biblioteca, período de receber pacote quase todos os dias (e o marido me olhar compriiiido e dizer “deixa eu adivinhar: outra promoção imperdível?”).

    Me objetivo é fazer com que os períodos de empréstimo em bibliotecas se prolonguem, e que os livros que entrem sejam apenas os calhamaços clássicos que quero ler a passo de tartaruga 😛

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