Gertrude, blogs, leitores e não leitores

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Depois de mais de dois  meses, eis que  surge uma nova postagem.  Na dúvida entre manter o blog ou não, fui adiando as postagens.  Aquela questão de sempre … Com tantos canais no YouTube, o Insta e o Facebook,  ainda vale a pena manter um blog? Devo  usar meu tempo produzindo conteúdo para um blog que ninguém lê?

 Confesso que tenho lido pouquíssimos blogs,  meu tempo livre na internet acaba sendo gasto nas redes sociais. Sabe aquela coisa de “só uma olhadinha” e quando nos damos conta passou mais de 1 hora? sempre acontece.  Mesmo sem uma resposta para essas dúvidas, resolvi retomar  o blog.  E sempre que der aquela  vontade de escrever, eu apareço por aqui.

O blog funciona  com um exercício de escrita, mesmo que sem compromisso, evita que eu fique enferrujada de vez. Além disso,  tenho  liberdade para escrever sobre os temas que me interessam.  Posso despejar as ideias, reflexões e  pensamentos que costumam surgir  na minha cabeça ao longo do dia.

Não pretendo voltar a fazer resenhas tradicionais,  vou comentar sobre livros que me marcaram, indicar leituras e discutir assuntos relacionados ao mundo literário.

Há um tempinho atrás, recebi do autor L. Rafael Nolli  o livro Gertrude – uma história sobre uma menina muito  inteligente,  uma  verdadeira “sabe tudo”.  E  por incrível que pareça, essas qualidades  não eram  vistas com bons olhos pela família e nem pela escola. As pessoas não entendiam a necessidade  de saber tanto, achavam que ela deveria saber apenas o suficiente para passar de ano.  Estudar muito, saber muito, ler muito… e quem pode dizer o que é muito? Quem pode definir o nível adequado/ aceitável de conhecimento ? O livro pode ser infantil, mas  gera  reflexões de gente grande.  Fiquei pensando na pobre da Gertrude, que fugia do padrão em um mundo que não aceita as diferenças e tende a normatização de tudo e de todos.

E quantas Gertrudes não encontramos por aí…  Também  me sinto um pouco Gertrudes na vida,  e muita gente também deve passar por isso.  Quantas vezes nós leitores já não  ouvimos frases como essas:  “Nossa! Mas você lê muito”;   “Terminou um livro e já vai começar outro?” “Porque você precisa ler essa “bíblia”?”   e por aí vai…    Nem sempre ser um grande leitor é visto como uma qualidade, pelo contrário, assim como a Gertrude, somos considerados esquisitos e fora do padrão.

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Vivo vários momentos Gertrudes…  Em um Evento na Biblioteca Pública para  bibliotecários e mediadores de leitura,  todo mundo assinando a lista de presença, chega na minha vez,  e eu  respondo que não preciso. As pessoas em volta me olham com estranheza. Um se arrisca a perguntar de que escola eu era e eu tento explicar que estava ali em pleno sábado de manhã sem nenhuma obrigação.  O fato de serem profissionais da área não os impede de me olharem como se eu fosse um ET.  Costumo frequentar eventos literários sempre que posso e constantemente isso acontece. Se a leitura deveria estar ao alcance de todos, porque é tão estranho pensar que uma pessoa esteja presente pelo simples fato de se interessar pelo assunto, sem implicações de nota, presença, salário…

Ler  sobre temas que não fazem parte da sua área de atuação,  ler  sobre literatura, ler os clássicos.. isso  chama a atenção, e nem sempre positivamente.  E em conversa com amigos leitores, percebe-se  que a reclamação é geral.

Na sexta à noite  sair para a balada  é legal,  mas  ficar em casa lendo, é esquisito.   Virar a noite fazendo Maratona de Séries no Netflix é super normal,   mas se você  lê um livro atrás do outro,  não tem vida…

Ler muito não significa  ser arrogante, querer saber mais que os outros, ou não ter vida social.  Também não quer dizer que leitores são esquisitos  e chatos .

Até em algo positivo como a leitura, existe o preconceito. Respeitar opiniões diferentes, aceitar modos de vida distintos e  evitar julgamentos,  são atitudes fundamentais para viver em sociedade.  Está na hora de rever conceitos, e em todas as esferas.

Interessados pelo Livros da Gertrude

blog – Rafaelnolli.blogspot.com

email- rafaelnolli@boll.com

instagram- rafaelnolli

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2 comentários sobre “Gertrude, blogs, leitores e não leitores

  1. Olá Patricia! Mais uma vez te digo, como estamos em sintonia (rs)… Desde meadas de março que não estou ativamente no face, no blog e nem visitando as redes sociais.Minha filha que anda atualizando tudo. Ando assim desse jeitinho que você escreveu. Estou como a Gertrude, num campo de futebol e sozinha, mas justamente hoje resolvi escrever no meu blog, visitar alguns blogs queridos e me pego com este post. Obrigada, descobri que sou normal (rs).
    Muita Paz e Bem! Sou sua fã, amo suas artes e a maneira como se expressa, bjs.
    Nice

    Curtido por 1 pessoa

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