Livro 12/2016 Memórias de uma Gueixa

DSC_0630-001

Memórias de uma Gueixa 

Arthur Golden

Editora Imago 

451 páginas 

Ano 2006 

Esse livro estava na minha estante há muito tempo, inclusive meu marido leu e gostou bastante, mas eu só fui incluir nas minhas leituras devido ao Projeto Tem que ler mesmo?  Falo mais do projeto aqui.  A proposta  para março e abril era ler um autor  asiático  ou uma obra ambientada na Asia. Como o tempo estava esgotando e eu não tinha  opções asiáticas, acabe resgatando o livro do esquecimento e não me arrependo.  Esse é o lado bacana desses projetos e desafios – a motivação para a ler mais, conhecer autores e estilos diferentes,  e resgatar livros esquecidos.

Sei que algumas  amigas  estão com  o livro paradinho na estante e a minha recomendação  é : leiam  pois vale a pena!

E para quem se interessou, o livro está disponível para locação na Le Mundi. Já falei bastante desse lugar encantado que une Livros, cultura e café!  Vale a pena conhecer!

O meu exemplar é uma edição mais antiga, agora há  uma edição nova publicada pela arqueiro. Espero que tenham feito  uma revisão mais cuidadosa, porque a minha edição tem erros terríveis de concordância.

O livro é uma biografia fictícia sobre a gueixa  Nitta Sayuri.  O livro conta a sua história desde os 9 anos de idade quando é separada da família e enviada a Kioto para tornar-se uma gueixa, até sua mudança para os Estados Unidos.

DSC_0651

Ao final do livro, nos agradecimentos, o autor relata   a  intensa pesquisa realizada  e também cita todas as pessoas de origem japonesa  que o auxiliaram nessa empreitada.   A grande inspiração veio de  uma gueixa real  Mineko Iwasaki, que foi entrevistada pelo autor.   E como todo Best Seller  está sempre envolto em alguma  polêmica,  com Memórias de uma Gueixa não é diferente.  A gueixa Mineko Iwasaki não aprovou  a obra de Golden  e processou o autor. E em seguida,  lançou o seu próprio relato no livro  “Minha Vida como Gueixa”. Porém nos agradecimentos, Golden relata a boa relação entre os dois, e inclusive descreve os encontros e a hospitalidade com que foi tratado.  Polêmicas a parte,   não conheço o livro mas, por algumas resenhas que li, parece ser algo mais aprofundado sobre a cultura japonesa e o universo das gueixas.  Algo mais teórico e menos romanceado.

Com o meu conhecimento  quase nulo sobre cultura japonesa e gueixas, não posso dizer se o autor realmente pecou ao tratar de tais assuntos. O que acontece nesses casos que misturam ficção e realidade, é que o autor sempre acaba fazendo uso da “licença poética ” em favor do seu romance. Usa elementos da realidade para dar corpo a uma história que é inventada. Essa é a graça da ficção.  O  romance brinca com a realidade, mantêm um pé no real   e outro no imaginário do escritor.

DSC_0653

O livro revela um panorama muito duro  do papel da mulher, meninas separadas de suas famílias e  negociadas como mercadorias.   As mais bonitas eram enviadas para se tornarem gueixas e as demais acabavam nas casas de prostituição. Uma vida de submissão, pois tudo era feito para impressionar e entreter os homens –  desde o figurino, cabelo, maquiagem, até as aulas de canto, dança, teatro, etc.  Fica claro no livro, que a gueixas eram uma classe superior, que  estudavam muito e eram verdadeiras artistas. Mas de qualquer maneira, não eram livres e independentes,   seguiam um grande número de regras de etiqueta e sempre  estavam a serviço (não necessariamente sexual) de homens de poder e dinheiro.

Mulheres que levavam uma vida triste e solitária. E que não eram livres para amar, e nem  tinham amizades,  devido a  grande rivalidade entre as gueixas. Viviam preocupadas com a aparência e com o futuro incerto na velhice. E mais triste ainda, é que apesar de não ser uma vida nada fácil era o melhor que podiam desejar.

DSC_0654

Além do cotidiano das gueixas de Gioto, o leitor vai acompanhar uma bela história de amor. Um amor de infância que  vai acompanhar Sayuri  por toda a vida.  E vai nos manter grudados no livro para saber o desfecho desse amor impossível.  E só digo uma coisa –  é surpreendente!

A longa trajetória de Sayuri passa pela Segunda Guerra e a narrativa aborda  a participação do Japão e os reflexos do período na vida cotidiana das pessoas.  Mais um ponto positivo do livro, que  inclui uma das minhas temáticas preferidas.

Fica claro que se trata de um  livro  interessante  e  rico em detalhes sobre  cultura japonesa. Porém, mais do que cultura oriental, é um livro para refletir sobre o papel da mulher. Em tempos de empoderamento e luta pelos direitos da mulheres, é importante conhecer mais esse lado da história feminina. O termo gueixa, ainda é utilizado para denominar mulheres que satisfazem todos os desejos masculinos. E embora muita coisa tenha mudado no Japão e no mundo ocidental, a submissão ainda é uma realidade, assim como  a preocupação excessiva com a aparência (tanto frente aos homens quanto a outras mulheres) e as relações  de poder.

Um livro que fala de  amor, de  mulheres de corajosas, de luta e superação, de ir em busca dos sonhos, que mostra os piores  sentimentos e que nos inspira a buscar a sabedoria dos orientais.

le mundi

A Le Mundi fica no Alto da XV, na Rua Sete  de abril,  1121 .

Telefone – (041) 3092-2733.

Anúncios

4 comentários sobre “Livro 12/2016 Memórias de uma Gueixa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s