Livro 9/2016 Emma

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Leitura realizada nos meses de março e abril para o Grupo de Leitura Heroínas de Jane Austen e o Projeto #marçolendomulheres.

Emma

Jane Austen 

Editora Saraiva/ Saraiva de bolso em parceria com Editora Nova Fronteira 

Tradução Ivo Barroso

496 págs

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De todos os livros lidos da autora até agora,  esse foi o que menos agradou – tanto a mim quanto ao nosso grupo de leituras.   A narrativa  é longa e  cansativa , e  em alguns trechos a leitura foi muito arrasta, não há um clímax e nem grandes acontecimentos.

Os personagens,  são outro ponto negativo  –  esse livro  concentra o maior número de chatos por metro quadrado! digo, páginas.  A protagonista é chata e mimada, o pai é chato e cheio de manias, a vizinha é chatinha… e ainda surgem na trama outros personagens que também são chatos, esnobes e presunçosos.  E fica muito difícil para o leitor sentir empatia por essas figuras… Mas  não dá para negar o talento da autora para criar personagens detestáveis, inclusive alguns críticos consideram Emma a melhor obra de Austen.  Para amenizar a situação, temos o Mr Knightley , quase um Mr Darcy  – sem dúvida, o personagem mais interessante e   cativante da história.

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Uma das coisas que mais aprecio nas obras da autora,  é a rica descrição dos costumes da época. Adoro conhecer mais sobre detalhes do cotidiano como  as festas e eventos,  as diferenças de relações sociais,  o papel da mulher, e outras particularidades da vida no interior da Inglaterra no período Regencial ( período de transição entre a era Georgiana e a era Vitoriana).

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O ritmo lento e pouca fluidez era recompensado vez ou outra, pelas boas sacadas da autora – mestra na arte da fina ironia.   Atenção especial  aos trechos de  descrições  de seus personagens, Jane não perdoa e distribui farpas para todos os lados.

Contrariando algumas opiniões, eu acabei a leitura quase gostando da Emma. Em meio a tantos personagens desagradáveis, ela acabou  mais suportável. E penso que ela passou sim, por um processo de amadurecimento e que aprendeu algo com seus erros. O seu comportamento arrogante e  presunçoso condiz com o ambiente em que vivia e com a forma que foi criada.  A Emma me lembrou muito a personagem  Lady Mary  da série  Dowton Abbey. Alguém assiste? Concordam com a minha associação ?

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A questão da diferença de classes sociais  é destaque na narrativa, especialmente nos primeiros capítulos. A forma como os personagens “abastados” se referem aos menos privilegiados  é no entendimento atual, completamente  absurda. Alguns trechos  foram literalmente, difíceis de engolir… fiquei com várias “pérolas preconceituosas ” engasgadas… Custo a compreender uma divisão de classes tão rígida, que determine e que defina a vida das pessoas de forma tão categórica.   Como  amante de História, vejo o livro como um belo tratado histórico-social   por fazer  um recorte bem fiel da vida aristocrática inglesa.

Em todas as obras de Jane Austen é possível observar críticas em relação ao papel da mulher, ela própria  teve dificuldade para se manter  financeiramente e para publicar suas obras.  Suas personagens de uma forma ou de outra, são contestadoras e  buscam a própria felicidade.  Emma, por exemplo,  rejeita a ideia do casamento e deseja viver de forma independente, coisa que sua situação financeira permitia. Ainda contrariando as regras vigentes,  incentiva a amiga a buscar um casamento com “alguém superior”.

E sugere que “se uma mulher tem dúvidas se aceita ou não um homem, é que deve certamente recusá-lo” (pg56).  Numa época em que a mulher era propriedade do marido e o casamento era a única opção possível, recusar uma proposta de casamento é algo revolucionário. São sementinhas feministas plantadas pela autora há mais de duzentos anos.

Para finalizar um dos meus trechos preferidos, onde a autora se refere  às escolas de moças da época.

” Onde as moças são enviadas para se formarem, para saberem abrir seu caminho na vida e adquirir uma cultura média sem o perigo de voltarem gênios para casa” (pg24).

Emma não entra para os meus preferidos, mas Jane Austen segue como autora favorita.

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8 comentários sobre “Livro 9/2016 Emma

  1. VC está certa em comparar a Mary de Dowton Abbey e Emma, duas insuportáveis, apesar que vi em Mary um amadurecimento maior do que em Emma, hehehe
    Amei sua resenha e as fotos lindas de viver, alias, vc sempre arrasa nas fotos!
    bjins

    Curtido por 1 pessoa

  2. Dias atrás quase comecei a ver Dowton Abbey, me sugere então? Ai amiga, também concordo com você, embora detestável, achei que Emma amadureceu e (posso estar sendo generosa) até arrependeu-se de algumas atitudes no final. De qualquer forma, no contexto todo concordo plenamente, até a irritação que sentimos com a personagem nada mais é que outra comprovação do talento imensurável da nossa querida JA. Como ela conseguia detalhar tanto? Descrever tanto as pessoas a ponto de minunciar suas almas nos transmitindo sentimentos tão fortes né? Adorei suas colocações, estou soltando a minha resenha entre hoje e amanhã e vou linkar a sua. Beijos!!!!

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