Livro 8/2016 Vá, Coloque um Vigia

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Vá, Coloque um Vigia 

Harper Lee

Editora José Olympio

251 páginas

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Quando comprei  O Sol é para todos no ano passado,  aproveitei e comprei também a continuação tão comentada  – Vá, Coloque um Vigia.  Depois da leitura do O Sol é para todos, fui pesquisar mais sobre a obra e a autora e  entender um pouco mais da polêmia em torno desse lançamento. Muitas pessoas acreditam que não se trata de uma continuação, e sim de um apanhado de trechos deixados pela autora e reunidos em livro somente por questões comerciais.  A autora, falecida recentemente, já estaria bastante debilitada para autorizar ou não essa publicação. E segundo os críticos, não seria a primeira vez que herdeiros autorizam publicações póstumas de caráter duvidoso. Fica a dúvida no ar… por que publicar  uma continuação somente tantos anos depois?

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Polêmicas a parte… o livro vai mostrar a Scout adulta,  com vinte e poucos anos vivendo em Nova York e passando férias na cidade natal.  E toda a narrativa acontece em uma dessas  visitas ao pai – Atticus Finch.  Nesse retorno à cidade,  Scout irá reviver memórias do passado e descobrir segredos  sobre a família e pessoas próximas.

 

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 (…) é sempre fácil olhar para  o passado e ver como éramos ontem ou dez anos atrás. Difícil é ver o que somos hoje.  (pag. 243)

 

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Nossos deuses vivem muito distantes de nós, Jean Louise.Nunca devem descer ao nível dos seres humanos.  (pag.240)

 

Às vezes precisamos matar um pouco para podermos viver. (pag.241)

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(…) a ilha de cada homem, o vigia de cada um é sua própria consciência. (pag.239)

 

Depois de finalizada a leitura, a impressão que tive foi que realmente não se trata de uma sequência, e sim de um compilado de trechos do livro original.  Pode ser que a autora tenha escrito  um capítulo com  os personagens 20 anos depois ( e também  rascunhos de anotações, ideias…) com intuito de incluir na obra original  e que acabou sendo descartado. Possivelmente, foi   feito  um apanhando desses manuscritos e publicado  como sequência, preservando as ideias originais e incluindo uma coisa aqui e outra ali…  A narrativa deixa algumas pontas soltas e que me chamaram a atenção, principalmente em relação a inclusão , ou  exclusão de alguns personagens.  Não posso discutir muito essa questão para não dar spoiler…

No início, tinha muitas cenas de lembranças de infância, que eram muito repetitivas… e eu só pensava que o livro era uma grande furada…

A leitura engrena, quando o leitor passa a acompanhar os conflitos da Scout – tentando entender e lidar com diferentes opiniões envolvendo o racismo.

O livro lança muitas questões para reflexão como  ética, racismo, a defesa das próprias opiniões, o amadurecimento pessoal.  E leva o leitor a pensar sobre tolerância e respeito, empatia (colocar-se no lugar do outro), e principalmente, compreender que todos são passíveis de erro ( inclusive nossos pais).

Não é um livro tão incrível quanto o original, mas por todos os questionamentos que provoca, vale a pena ser lido.  E  finalizada a leitura e com as ideias em ordem na cabeça,  sigo  admirando Atticus Finch – como um dos personagens mais marcantes da literatura.

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